O Substack me transforma em escritora
As redes sociais ao meu favor
O Substack vai mudar a minha vida, eu pensei. Aliás, passei grande parte da minha adolescência criando blogs e navegando no Tumblr. Agora tenho a oportunidade de apresentar uma nova versão do que fui: mais madura e um pouco mais lapidada.
Como a maioria dos jovens desta década, fui bombardeada pelos aplicativos que vocês estão cansados de ouvir falar: Instagram, TikTok, X/Twitter e, apesar de ser e ter sido usuária de cada um deles, não são ambientes completamente confortáveis de se estar.
Pensando nesse desconforto, comecei a notar um vício um pouco mais latente no Twitter. Mas não era um vício qualquer, era uma obsessão por fofocas irrelevantes, por acompanhar cancelamento de usuários, por ver a desgraça acontecer. Passava horas do meu dia (e da minha noite) rolando a tela, monitorando o dia a dia de pessoas que eu nem gostava e expondo parte da minha vida que não precisava. Então, no início de 2025, decidi excluir o aplicativo – e isso mudou totalmente a química do meu cérebro. – Faz meses que não ouço falar em subcelebridades e nem sei se são as mesmas que estão em pauta. E sinceramente? Existe uma certa beleza no mistério, em não entregar informações privilegiadas da sua vida a pessoas que pouco se importam.
Já as outras redes não me consomem tanto. Consegui treinar meu algoritmo para me entregar o que é do meu interesse (meu explore do Instagram é puro cinema, literatura e fotos bonitas). Aliás, amo conteúdo aesthetic, sinto que minha vida está sendo romantizada. Por isso, vez ou outra, também gosto de compartilhar o meu olhar por lá. Além disso, acompanho as minhas amigas e me conecto com pessoas do próprio Substack no Instagram – é uma forma de me aproximar mais de quem eu gosto.
Mas é claro, com a lacuna imensa que as redes sociais oferecem. Like nos stories não mantém amizade, só reforça que você está ali. Nada substitui um encontro para um café da tarde com a sua melhor amiga ou dois minutos de áudio sobre como vai a sua saúde mental.
Por que eu não seria uma influenciadora digital?
Apaguei o Twitter porque estava de saco cheio de não conseguir absorver nada de bom em horas de tela. Continuei no Instagram porque (ainda) não fui consumida por ele e posto quando eu quiser, sem me preocupar com número de seguidores ou com pessoas esperando por atualizações. Mas, por muito tempo, pensei em trabalhar com redes sociais. Eu gosto de fazer vídeos de rotina, de gravar vlogs, de falar abertamente sobre temas que me interessam. Aliás, eu faria se não houvesse o risco da bolha estourar. Eu faria se pudesse ficar semanas desaparecida. Mas a internet cobra uma velocidade que eu não consigo acompanhar — tem dias que quero postar todos os acontecimentos e outros que quero desaparecer — e eu JAMAIS me faria presente todos os dias nos stories porque meu carisma é completamente instável. Aliás, a idade me trouxe algo: pavor em expor os detalhes da minha vida. E aí que mora o problema, as pessoas querem saber de tudo. E eu só quero mostrar uma parte. Por isso, me satisfaço em postar vez ou outra e não ser uma figura relevante na internet.
Aí que o Substack entra!
Descobri o Substack em fevereiro do ano passado, graças a uma abençoada no TikTok (sim, lá também tem conteúdo de qualidade). Comecei a mexer no aplicativo e tudo ficou claro para mim: eu crio minha newsletter, publico textos, faço podcasts e ainda tem os Notes, onde eu posso escrever devaneios, postar fotos e vídeos. É quase um Twitter, só que para pessoas que querem ler e desejam ser lidas. Um Pinterest, com textos. Assim, criei minhas duas newsletters, Melancolívia e Liv Magazine, comecei a publicar Notes e criar a minha própria identidade.
Naturalmente, fiz conexões. Fui lida e li muita gente. Diferente das outras redes sociais, aqui eu tenho a minha bolha e me sinto muito confortável em alimentá-la. O Substack reforça meu lado artístico e está me criando como uma potencial escritora (e melhor: está me fazendo reconhecer isso).
Mas é claro, ambiente saudável é a gente que cria. Passar seis horas de tela no Substack ainda é passar seis horas de tela. Por isso, não adianta excluir o Instagram e substituir um vício pelo outro — continua sendo prejudicial.
O ideal é manter o equilíbrio e usar as plataformas ao seu favor, divulgando seu trabalho e encontrando seu espaço. E o Substack é um ótimo ambiente para encontrar o seu espaço.
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